sábado, 30 de julho de 2016

O idoso, o velho e os trapos….

Gerações atrás os jovens cedo asseguravam os seus empregos, constituíam famílias, fixavam residência em casas à medida das suas posses ou dos seus sonhos. Raramente incluíram nesses projectos de vida os seus futuros idosos, esses que foram os seus pilares, as suas referências, quem lhes deu asas para voar e consolidar a sua vida adulta.
Quarenta anos após a Revolução de Abril, a longevidade aumentou, fruto de melhores condições de vida, melhores cuidados de saúde, higiene e alimentação. Condições que, com a regressão dos últimos anos, irão reflectir-se na qualidade de vida das próximas gerações, aquelas que supostamente irão cuidar de nós.
Se a chegada dos filhos pode ser programada e preparada com tempo, o mesmo não se passa com grande parte dos nossos idosos que, rapidamente ficam doentes, perdem as suas capacidades e a sua autonomia.
De repente toda a estrutura familiar oscila com esta alteração.
Os nossos idosos ou velhos são estigmatizados pelos seus comportamentos tidos como desadequados na sociedade, que se comportam como gente pequena mas com os vícios e manias de gente crescida e sabida, com a experiência de uma vida rica de vivências, conhecimentos, vidas com história.
Os nossos idosos ou velhos que nos habituámos a ter ao nosso lado sempre que precisámos são agora os que precisam de nós, que dependem de nós.
Os papéis invertem-se.
E a solução passa pela institucionalização do idoso em centro de dia ou lar.
A nossa educação não nos permite equacionar estas hipóteses com bons olhos. Os lares sempre foram vistos como “depósitos de velhos que vão para ali para morrer”, imagem que durante muitos anos correspondeu à realidade. Ainda hoje existem situações menos dignas à conta dos lucros obtidos pelos seus proprietários ou gerentes, sendo notícia o encerramento de algumas pelas entidades competentes.
O papel das associações, principalmente de reformados, pensionistas e idosos, tem sido de acabar com esses rótulos e construir verdadeiras instituições de apoio aos idosos e às famílias, onde os idosos ou velhos tenham algumas actividades de acordo com os seus gostos, usos e costumes, para que a velhice seja vista como uma fase da vida tão normal quanto digna.
A isso também obriga a evolução das sociedades modernas onde se quer um ser humano maior, mais digno, mais feliz, cuidador da família e onde os valores humanistas imperem.

Porque idosos um dia seremos nós, mas velhos são os trapos!

terça-feira, 26 de julho de 2016

Quadras soltas

É muto made1 d'alcançar
A regra do bom viver
Porque a gente nasce e morre
Nunca acabamos de aprender

É uma vida regalada
Esta vida de ganhão
Rêgo abaixo rêgo acima
Com o arado na mão

Ao romper da bela aurora
Se levanta o indivíduo
Pronto, calçado e vestido
Almoça p'ra se ir embora

Se eu tivesse o que nã tenho
E o que eu tenho me ajudasse
Sem pedir nada a ninguém
Talvez que me governasse.

Popular desconhecido



1difícil

domingo, 17 de julho de 2016

Esqueceram-se...

Olhando para este post da página de apoio a Pedro Passos Coelho, apetece-nos perguntar que foi que o calor fez ao cérebro destes senhores?
- Esqueceram-se que foram eles que mandaram os nossos jovens e desempregados emigrar?
- Esqueceram-se que foram eles que, com as suas políticas retrógradas, enviaram milhares de trabalhadores para o desemprego?
- Esqueceram-se que foram eles que nos venderam a uma União Europeia caduca e moribunda, mas que tenta a todo o custo salvar-se subjugando e espezinhando os povos?

Esqueceram-se de tanta coisa que até têm o descaramento de dizer que são contra o 'aproveitamento político dos emigrantes', porque se esqueceram que é o que têm feito nestes anos todos!

Esqueceram-se ou é mais uma tentativa de tapar o sol com a peneira?

terça-feira, 28 de junho de 2016

Nunca ouvi um alentejano cantar sozinho

Nunca ouvi um alentejano cantar sozinho
com egoísmo de fonte

Quando sente voos na garganta
desce ao caminho
da solidão do seu monte,
e canta
em coro com a família do vizinho.

Não me parece pois necessária
outra razão 
- ou desejo
de arrancar o sol do chão -
para explicar
a reforma agrária 
no Alentejo.

É apenas uma certa maneira de cantar.


José Gomes Ferreira
Uma certa maneira de cantar

domingo, 1 de maio de 2016

MULHER MAIO

Bom dia, minha amiga, digo em Maio
és uma rosa à beira de um tractor
neste campo de Abril onde não caio
a nossa sementeira já deu flor.

Bom dia minha amiga, eu sou um gaio
um pássaro liberto pela dor
tu és a companheira donde saio
mais limpo de mim próprio mais amor.

Bom dia meu amor estamos primeiro
neste tempo de Maio a tempo inteiro,
contra o tempo do ódio e do terror.

Se tu és camponesa eu sou mineiro.
Se carregas no ventre um pioneiro
Dentro de ti eu fui trabalhador.
.
José Carlos Ary dos Santos

quinta-feira, 21 de abril de 2016

Não vejo senão canalha

MOTE

Não vejo senão canalha
De banquete para banquete
Quem produz e quem trabalha
Come açordas sem azête

I

Ainda o que mais me admira
e penso vezes a miúdo:
dizem que o Sol nasce para tudo
mas eu digo que é mentira.
Se o pobrezinho conspira
o burguês com ele ralha
até diz que o põe à calha,
nem à porta o pode ver.
A não trabalhar e só comer
Não vejo senão canalha.

II

Quem passa a vida arrastado,
por se ver alegre um dia
logo diz a burguesia
que é muito mal governado
que é um grande relaxado
que anda só no bote e dête.
Antes que o pobrezinho respête
tratam-no sempre ao desdém.
E vê-se andar quem muito tem
De banquete em banquete.

III

É um viver tão diferente!
Só o rico tem valor
e o pobre trabalhador
vai morrendo lentamente.
A fraqueza o põe doente
e a miséria o atrapalha.
Leva no pêto a medalha
que ganhou à chuva e ao vento.
E morre à falta de alimento
Quem produz e quem trabalha.

IV

Feliz de quem é patrão
e pobre de quem é criado,
que até dão por mal empregado
o poucochinho que dão.
Quem semeia e colhe pão
não tem onde se dête
só tem quem o assujête
p'ra que toda a vida chore.
E em paga do seu suor
Come açordas sem azête.

Jaime da Manta Branca – O Poeta Ganhão
1894 / 1955 – Benavila / Aviz
Analfabeto

Cantor e repentista

A Defesa do Planeta

Porque estamos em tempos de defesa do Planeta, deixamos aqui uma publicação da página do Re-planta:






UMA PRIMA DA ABÓBORA QUE LAVA A LOUÇA.


Seja para lavar a louça seja para tomar um banho acabamos sempre por necessitar de um esfregão ou uma esponja que nos ajude no dia-a-dia. No caso do esfregão sintético da louça a sua reciclagem é muito difícil (em Portugal deve colocá-lo no contentor dos indiferenciados), para além de ser produzido a partir de plásticos derivados de petróleo.
Mas existem algumas soluções mais ou menos práticas, mais ou menos dispendiosas, mas existe uma familiar da abóbora que é um excelente substituto, sustentável e económico, tão acessível como os seus coentros ou morangos, a Esponja Vegetal (Luffa cylindrica).
Ainda que sendo originária de climas tropicais ela pode ser cultivada em Portugal no verão -especialmente no alentejo-, e desde que não lhe tape o sol, a proteja de geadas, lhe proporcione um terreno fértil e a deixe trepar vai ser um sucesso no seu jardim. Depois, só tem de esperar pelos seus frutos amadurecerem e obter a Esponja vegetal do seu interior.