Gerações atrás os jovens cedo
asseguravam os seus empregos, constituíam famílias, fixavam residência em casas
à medida das suas posses ou dos seus sonhos. Raramente incluíram nesses
projectos de vida os seus futuros idosos, esses que foram os seus pilares, as
suas referências, quem lhes deu asas para voar e consolidar a sua vida adulta.
Quarenta anos após a Revolução
de Abril, a longevidade aumentou, fruto de melhores condições de vida, melhores
cuidados de saúde, higiene e alimentação. Condições que, com a regressão dos
últimos anos, irão reflectir-se na qualidade de vida das próximas gerações,
aquelas que supostamente irão cuidar de nós.
Se a chegada dos filhos pode
ser programada e preparada com tempo, o mesmo não se passa com grande parte dos
nossos idosos que, rapidamente ficam doentes, perdem as suas capacidades e a
sua autonomia.
De repente toda a estrutura
familiar oscila com esta alteração.
Os nossos idosos ou velhos são
estigmatizados pelos seus comportamentos tidos como desadequados na sociedade,
que se comportam como gente pequena mas com os vícios e manias de gente
crescida e sabida, com a experiência de uma vida rica de vivências,
conhecimentos, vidas com história.
Os nossos idosos ou velhos que
nos habituámos a ter ao nosso lado sempre que precisámos são agora os que
precisam de nós, que dependem de nós.
Os papéis invertem-se.
E a solução passa pela
institucionalização do idoso em centro de dia ou lar.
A nossa educação não nos
permite equacionar estas hipóteses com bons olhos. Os lares sempre foram vistos
como “depósitos de velhos que vão para ali para morrer”, imagem que durante
muitos anos correspondeu à realidade. Ainda hoje existem situações menos dignas
à conta dos lucros obtidos pelos seus proprietários ou gerentes, sendo notícia
o encerramento de algumas pelas entidades competentes.
O papel das associações,
principalmente de reformados, pensionistas e idosos, tem sido de acabar com
esses rótulos e construir verdadeiras instituições de apoio aos idosos e às
famílias, onde os idosos ou velhos tenham algumas actividades de acordo com os
seus gostos, usos e costumes, para que a velhice seja vista como uma fase da
vida tão normal quanto digna.
A isso também obriga a
evolução das sociedades modernas onde se quer um ser humano maior, mais digno,
mais feliz, cuidador da família e onde os valores humanistas imperem.
Porque idosos um dia seremos
nós, mas velhos são os trapos!