quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

Seremos Mutantes? A poda das Árvores

Atentemos no estudo de uma investigadora do Departamento de Biologia e responsável pelo Herbário da Universidade de Aveiro, Rosa Pinho, publicado no jornal Online da Universidade de Aveiro, em 02.02.2016, sobre a poda das árvores. Afinal o que é que andamos a fazer ao Planeta:

“(…)
São sobretudo as árvores existentes nos espaços verdes e arruamentos as principais responsáveis pela qualidade de vida das cidades, pois para além de adornarem a urbe, possuem um elevado valor ecológico devido nomeadamente ao seu contributo para a purificação do ar, para a diminuição da poluição sonora e diminuição do impacto das chuvas. Favorecem o microclima da cidade, promovendo a conveniente circulação da água e do ar, proporcionam sombra e refúgio para inúmeras espécies de animais, atraindo especialmente a avifauna, mantendo assim o equilíbrio dos ecossistemas, contrabalançam com a sua presença o artificialismo do meio urbano que tanto afeta a saúde psicossomática das populações, valorizando muito a qualidade de vida local.
Embora com todos estes e mais alguns atributos é notória a falta de sensibilidade para o importante papel da árvore no meio urbano. Comprovam isto as podas radicais a que são sujeitas, que lhes tiram a beleza e reduzem drasticamente as suas funções ecológicas.
A poda de árvores é uma agressão a um organismo vivo, que possui estrutura e funções bem definidas e alguns mecanismos e processos de defesa contra seus inimigos naturais. Contra a poda e suas consequências danosas não existe defesa, a não ser a tentativa desesperada de recompor a estrutura original, definida geneticamente.
A poda é sempre uma operação desvitalizante, elimina uma grande parte da copa das árvores chegando nos casos mais drásticos à eliminação total. Como consequência, a superfície fotossinteticamente ativa é parcial ou totalmente eliminada, pelo que a árvore fica bastante debilitada. Esta gravidade, causada pela poda, estimula um tipo de mecanismo de sobrevivência no sentido da árvore se recompor do traumatismo sofrido, recorrendo para tal às suas reservas energéticas. Se a árvore não dispõe de tais reservas em abundância, ficará gravemente debilitada, podendo em muitos casos morrer.
Uma árvore debilitada fica mais vulnerável ao ataque de pragas e doenças, sendo que alguns insetos e fungos acabam por se aproveitar destas fragilidades e instalam-se, acelerando nalguns casos a morte das árvores. Uma árvore decapitada fica completamente desfigurada e debilitada, e jamais recuperará por completo a sua forma natural. A decapitação é uma prática incoerente com a fisiologia das árvores, cientificamente errada e socialmente inaceitável.
Outro mecanismo de sobrevivência das árvores, como resposta a esta operação traumática, é a produção de múltiplos rebentos, o que lhes causa um grande desgaste. Isto é interpretado muitas vezes e erradamente como um rejuvenescimento da árvore, mas não passa de uma tentativa desesperada e inglória de reposição da copa inicial. Os novos rebentos crescem muito rapidamente, podendo nalgumas espécies alcançar 6 metros no primeiro ano. Infelizmente, estes novos ramos de grande fragilidade mecânica têm tendência para partir com facilidade, principalmente por ação de ventos fortes. Neste caso, vira-se o feitiço contra o feiticeiro, em que a mutilação vista como uma forma de proporcionar segurança, torna-se numa forte ameaça para os transeuntes.
A mutilação fará uma árvore mais perigosa a médio e longo prazo.
Além da falta de estética que as árvores passam a apresentar, com a "poda radical" a que são sujeitas, as feridas deixadas pelos cortes, às vezes de difícil cicatrização, são um perigo permanente de entrada de organismos patogénicas, além disso, os gomos dormentes que as árvores possuem e que normalmente não rebentariam vão provavelmente rebentar e deformar a própria árvore. Alguns tumores, que muitas vezes são observados nas árvores ornamentais, resultam de muitas podas sucessivas.
Decapitando árvores frondosas, estas estarão à partida condenadas a não cumprir a sua função ambiental de purificar o ambiente, proporcionar sombra e frescura, servir de habitat para pequenas aves que ali nidificavam.
A poda não é uma operação cultural normal em árvores ornamentais ou florestais, mas sim em árvores de fruto.
A poda em árvores ornamentais é necessária apenas em casos de emergência.
(…)

ua online | jornal ©20042016
Universidade de Aveiro

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

Seremos Mutantes? Ou o preço da industrialização desenfreada e sem controlo

A protecção do ambiente é um dos temas mais debatidos nos nossos dias sem, no entanto, surgirem medidas eficazes para travar a destruição da qualidade do nosso ambiente, o que implicará, num futuro não tão longínquo quanto isso, a destruição da vida na Terra.
Se nos quisermos lembrar do que era o nosso equilíbrio ambiental de há 30 ou 40 anos atrás, não será difícil chegarmos à conclusão de que as alterações na atmosfera terrestre estão num processo de grande aceleração.
E não estamos a falar de filmes de ficção científica dos anos 80 do século passado, que todos nós conhecemos, mas do que nós sentimos todos os dias.
Estamos a falar da qualidade da água, essencial à vida.
Estamos a falar da qualidade do ar que respiramos.
Estamos a falar na proliferação de doenças alérgicas e outras, cada vez mais difíceis de controlar.
Estamos a falar do sol que provoca estragos nunca dantes vistos na nossa pele, nos nossos olhos, na agricultura, e em toda a fauna e flora.
É por demais sabido que a ‘culpa’ de tudo isto é das indústrias, é dos automóveis, é das experiências nucleares, etc., etc..
Tudo isto é verdade, como tão verdade é que, até hoje, os estados não quiseram pôr a qualidade de vida dos povos à frente dos grandes interesses económicos.
Por mais cimeiras que se façam, por mais decisões que se tomem nessas cimeiras, nada fará sentido se não houver vontade de pôr em prática essas decisões.
De que nos serve a decisão dos estados de diminuir drasticamente a emissão de gases industriais, se esses mesmos estados não implementarem essa decisão?
E é o que tem acontecido. Porque não se pode afrontar o poder económico, mesmo que isso custe a vida de todos nós, a vida do Planeta.
Às vezes pergunto-me se as pessoas que lideram o poder económico e político – sim, são pessoas, não acham? – se pensam que conseguem existir, sobreviver sozinhas, rodeadas dos seus poderes, quando já não houver água potável, nem capacidade de produzir alimentação.

Ou estaremos a criar gerações de mutantes?

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

Da minha Janela

Mar alto! Ondas quebradas e vencidas
Num soluçar aflito, murmurado...
Vôo de gaivotas, leve, imaculado,
Como neves nos píncaros nascidas!

Sol! Ave a tombar, asas já feridas,
Batendo ainda num arfar pausado...
Ó meu doce poente torturado
Rezo-te em mim, chorando, mãos erguidas!

Meu verso de Samain cheio de graça,
Inda não és clarão já és luar
Como um branco lilás que se desfaça!

Amor! Teu coração trago-o no peito...
Pulsa dentro de mim como este mar
Num beijo eterno, assim, nunca desfeito!...
Florbela Espanca, in "Livro de Sóror Saudade"

domingo, 14 de fevereiro de 2016

Ainda não falámos de Política

O ISP vai custar-nos mais seis cêntimos por litro de gasolina. É uma medida que põe mais dinheiro nos cofres do Estado, fomenta o uso do transporte público, protege o ambiente.
Estamos a falar, obviamente do litoral do País!
E o interior?
Pois!
É que no interior do País não há transportes públicos para as aldeias ou mesmo para os bairros periféricos, de acordo com as necessidades dos habitantes.

Primeiro foi a desertificação e retiraram-se carreiras.
Depois foi a falta de adaptação ao ritmo do mundo do trabalho actual, do funcionamento das empresas, das fábricas, do comércio.
Para além disso, não temos forma de sair de casa, ir ter com amigos, ir ao cinema, ao teatro.
O mesmo é dizer que cultura e lazer, então é melhor nem pensar.

E aqui estamos nós, ilustres habitantes do interior deste país à beira mar plantado, 'vítimas' deste sistema que nos obriga a ter viatura própria, sem a qual não nos deslocaremos para o trabalho, não iremos às compras nem a lado nenhum, porque para além de um autocarro às 7h da manhã e outro de regresso às 18h, (mais coisa menos coisa), nada feito!