segunda-feira, 14 de março de 2016

Antes que seja tarde

Amigo,
tu que choras uma angústia qualquer
e falas de coisas mansas como o luar
e paradas
como as águas de um lago adormecido,
acorda!
Deixa de vez
as margens do regato solitário
onde te miras
como se fosses a tua namorada.
Abandona o jardimsem flores
desse país inventado
onde tu és o único habitante.
Deixa os desejos sem rumo
sde barco ao deus-dará
e esse ar de renúncia
às coisas do mundo.
Acorda, amigo,
liberta-te dessa paz podre de milagre
que existe
apenas na tua imaginação.
Abre os olhos e olha, abre os braços e luta!
Amigo,
antes da morte vir
nasce de vez para a vida.

(Manuel da Fonseca
Obra poética.)


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