quinta-feira, 21 de abril de 2016

Não vejo senão canalha

MOTE

Não vejo senão canalha
De banquete para banquete
Quem produz e quem trabalha
Come açordas sem azête

I

Ainda o que mais me admira
e penso vezes a miúdo:
dizem que o Sol nasce para tudo
mas eu digo que é mentira.
Se o pobrezinho conspira
o burguês com ele ralha
até diz que o põe à calha,
nem à porta o pode ver.
A não trabalhar e só comer
Não vejo senão canalha.

II

Quem passa a vida arrastado,
por se ver alegre um dia
logo diz a burguesia
que é muito mal governado
que é um grande relaxado
que anda só no bote e dête.
Antes que o pobrezinho respête
tratam-no sempre ao desdém.
E vê-se andar quem muito tem
De banquete em banquete.

III

É um viver tão diferente!
Só o rico tem valor
e o pobre trabalhador
vai morrendo lentamente.
A fraqueza o põe doente
e a miséria o atrapalha.
Leva no pêto a medalha
que ganhou à chuva e ao vento.
E morre à falta de alimento
Quem produz e quem trabalha.

IV

Feliz de quem é patrão
e pobre de quem é criado,
que até dão por mal empregado
o poucochinho que dão.
Quem semeia e colhe pão
não tem onde se dête
só tem quem o assujête
p'ra que toda a vida chore.
E em paga do seu suor
Come açordas sem azête.

Jaime da Manta Branca – O Poeta Ganhão
1894 / 1955 – Benavila / Aviz
Analfabeto

Cantor e repentista

A Defesa do Planeta

Porque estamos em tempos de defesa do Planeta, deixamos aqui uma publicação da página do Re-planta:






UMA PRIMA DA ABÓBORA QUE LAVA A LOUÇA.


Seja para lavar a louça seja para tomar um banho acabamos sempre por necessitar de um esfregão ou uma esponja que nos ajude no dia-a-dia. No caso do esfregão sintético da louça a sua reciclagem é muito difícil (em Portugal deve colocá-lo no contentor dos indiferenciados), para além de ser produzido a partir de plásticos derivados de petróleo.
Mas existem algumas soluções mais ou menos práticas, mais ou menos dispendiosas, mas existe uma familiar da abóbora que é um excelente substituto, sustentável e económico, tão acessível como os seus coentros ou morangos, a Esponja Vegetal (Luffa cylindrica).
Ainda que sendo originária de climas tropicais ela pode ser cultivada em Portugal no verão -especialmente no alentejo-, e desde que não lhe tape o sol, a proteja de geadas, lhe proporcione um terreno fértil e a deixe trepar vai ser um sucesso no seu jardim. Depois, só tem de esperar pelos seus frutos amadurecerem e obter a Esponja vegetal do seu interior.