Tentando fazer
render o pouco tempo disponível, Dona Ana foi ao banco na sua hora de almoço.
A fila para
atendimento chegava à porta e, lentamente, lá foram sendo atendidos os clientes.
À sua frente uma
senhora com uma criança de não mais de 5 ou 6 anos, que após deambular pela
sala como qualquer criança destas idades, cheias de vida e energias, aborrecida
de ali estar tanto tempo, começa a interagir com os outros clientes.
E a menina passa
por um e pisa, passa por outro e dá um encontrão com as suas forças, passa por
outro e dá uma palmada, tudo com a complacência da mãe e de algumas das pessoas
atingidas e do visível descontentamento de outras.
E a menina passa
por Dona Ana e dá-lhe um pontapé.
E Dona Ana, que
não é de modas, assenta um estalo na menina!
O factor
surpresa fez o seu efeito e a menina parou uns instantes. De seguida corre a
chorar em altos berros para junto da mãe.
A mãe assistiu
incrédula ao que acabava de acontecer e corre para Dona Ana em defesa da sua
menina.
Mas Dona Ana,
que não é de modas, e antes que a mãe diga o que quer que
seja, trava-a:
– Cale-se ou a
seguir é você. Onde é que já se viu deixar uma criança andar a bater em toda a
gente!
A conversa
terminou ali e a menina não voltou a bater em ninguém enquanto ali esteve.
Esta pequena
história aconteceu há já uns bons anos, mas continua bem actual.
As crianças têm
tendência para fazer birras, com o objectivo de sensibilizar os pais para
satisfazer os seus desejos, sejam eles de um brinquedo ou de um chocolate que
foi recusado.
Os pais têm
tendência para evitar confrontos que, pensam, irão marcar os seus filhos para o
futuro. Por outro lado, é mais fácil evitar o confronto quando o tempo foge e
os bons hábitos de convívio familiar se esfumam por entre as correrias do
dia-a-dia.
Mas já dizia a minha amiga Toya que "uma palmada na altura certa não quebra osso"!
Mas já dizia a minha amiga Toya que "uma palmada na altura certa não quebra osso"!