segunda-feira, 17 de outubro de 2016

No meu tempo não era nada assim!

Tentando fazer render o pouco tempo disponível, Dona Ana foi ao banco na sua hora de almoço.
A fila para atendimento chegava à porta e, lentamente, lá foram sendo atendidos os clientes.
À sua frente uma senhora com uma criança de não mais de 5 ou 6 anos, que após deambular pela sala como qualquer criança destas idades, cheias de vida e energias, aborrecida de ali estar tanto tempo, começa a interagir com os outros clientes.
E a menina passa por um e pisa, passa por outro e dá um encontrão com as suas forças, passa por outro e dá uma palmada, tudo com a complacência da mãe e de algumas das pessoas atingidas e do visível descontentamento de outras.
E a menina passa por Dona Ana e dá-lhe um pontapé.
E Dona Ana, que não é de modas, assenta um estalo na menina!
O factor surpresa fez o seu efeito e a menina parou uns instantes. De seguida corre a chorar em altos berros para junto da mãe.
A mãe assistiu incrédula ao que acabava de acontecer e corre para Dona Ana em defesa da sua menina.
Mas Dona Ana, que não é de modas, e antes que a mãe diga o que quer que seja, trava-a:
– Cale-se ou a seguir é você. Onde é que já se viu deixar uma criança andar a bater em toda a gente!
A conversa terminou ali e a menina não voltou a bater em ninguém enquanto ali esteve.

Esta pequena história aconteceu há já uns bons anos, mas continua bem actual. 
As crianças têm tendência para fazer birras, com o objectivo de sensibilizar os pais para satisfazer os seus desejos, sejam eles de um brinquedo ou de um chocolate que foi recusado.
Os pais têm tendência para evitar confrontos que, pensam, irão marcar os seus filhos para o futuro. Por outro lado, é mais fácil evitar o confronto quando o tempo foge e os bons hábitos de convívio familiar se esfumam por entre as correrias do dia-a-dia. 
Mas já dizia a minha amiga Toya que "uma palmada na altura certa não quebra osso"!

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