segunda-feira, 17 de outubro de 2016

No meu tempo não era nada assim!

Tentando fazer render o pouco tempo disponível, Dona Ana foi ao banco na sua hora de almoço.
A fila para atendimento chegava à porta e, lentamente, lá foram sendo atendidos os clientes.
À sua frente uma senhora com uma criança de não mais de 5 ou 6 anos, que após deambular pela sala como qualquer criança destas idades, cheias de vida e energias, aborrecida de ali estar tanto tempo, começa a interagir com os outros clientes.
E a menina passa por um e pisa, passa por outro e dá um encontrão com as suas forças, passa por outro e dá uma palmada, tudo com a complacência da mãe e de algumas das pessoas atingidas e do visível descontentamento de outras.
E a menina passa por Dona Ana e dá-lhe um pontapé.
E Dona Ana, que não é de modas, assenta um estalo na menina!
O factor surpresa fez o seu efeito e a menina parou uns instantes. De seguida corre a chorar em altos berros para junto da mãe.
A mãe assistiu incrédula ao que acabava de acontecer e corre para Dona Ana em defesa da sua menina.
Mas Dona Ana, que não é de modas, e antes que a mãe diga o que quer que seja, trava-a:
– Cale-se ou a seguir é você. Onde é que já se viu deixar uma criança andar a bater em toda a gente!
A conversa terminou ali e a menina não voltou a bater em ninguém enquanto ali esteve.

Esta pequena história aconteceu há já uns bons anos, mas continua bem actual. 
As crianças têm tendência para fazer birras, com o objectivo de sensibilizar os pais para satisfazer os seus desejos, sejam eles de um brinquedo ou de um chocolate que foi recusado.
Os pais têm tendência para evitar confrontos que, pensam, irão marcar os seus filhos para o futuro. Por outro lado, é mais fácil evitar o confronto quando o tempo foge e os bons hábitos de convívio familiar se esfumam por entre as correrias do dia-a-dia. 
Mas já dizia a minha amiga Toya que "uma palmada na altura certa não quebra osso"!

sábado, 30 de julho de 2016

O idoso, o velho e os trapos….

Gerações atrás os jovens cedo asseguravam os seus empregos, constituíam famílias, fixavam residência em casas à medida das suas posses ou dos seus sonhos. Raramente incluíram nesses projectos de vida os seus futuros idosos, esses que foram os seus pilares, as suas referências, quem lhes deu asas para voar e consolidar a sua vida adulta.
Quarenta anos após a Revolução de Abril, a longevidade aumentou, fruto de melhores condições de vida, melhores cuidados de saúde, higiene e alimentação. Condições que, com a regressão dos últimos anos, irão reflectir-se na qualidade de vida das próximas gerações, aquelas que supostamente irão cuidar de nós.
Se a chegada dos filhos pode ser programada e preparada com tempo, o mesmo não se passa com grande parte dos nossos idosos que, rapidamente ficam doentes, perdem as suas capacidades e a sua autonomia.
De repente toda a estrutura familiar oscila com esta alteração.
Os nossos idosos ou velhos são estigmatizados pelos seus comportamentos tidos como desadequados na sociedade, que se comportam como gente pequena mas com os vícios e manias de gente crescida e sabida, com a experiência de uma vida rica de vivências, conhecimentos, vidas com história.
Os nossos idosos ou velhos que nos habituámos a ter ao nosso lado sempre que precisámos são agora os que precisam de nós, que dependem de nós.
Os papéis invertem-se.
E a solução passa pela institucionalização do idoso em centro de dia ou lar.
A nossa educação não nos permite equacionar estas hipóteses com bons olhos. Os lares sempre foram vistos como “depósitos de velhos que vão para ali para morrer”, imagem que durante muitos anos correspondeu à realidade. Ainda hoje existem situações menos dignas à conta dos lucros obtidos pelos seus proprietários ou gerentes, sendo notícia o encerramento de algumas pelas entidades competentes.
O papel das associações, principalmente de reformados, pensionistas e idosos, tem sido de acabar com esses rótulos e construir verdadeiras instituições de apoio aos idosos e às famílias, onde os idosos ou velhos tenham algumas actividades de acordo com os seus gostos, usos e costumes, para que a velhice seja vista como uma fase da vida tão normal quanto digna.
A isso também obriga a evolução das sociedades modernas onde se quer um ser humano maior, mais digno, mais feliz, cuidador da família e onde os valores humanistas imperem.

Porque idosos um dia seremos nós, mas velhos são os trapos!

terça-feira, 26 de julho de 2016

Quadras soltas

É muto made1 d'alcançar
A regra do bom viver
Porque a gente nasce e morre
Nunca acabamos de aprender

É uma vida regalada
Esta vida de ganhão
Rêgo abaixo rêgo acima
Com o arado na mão

Ao romper da bela aurora
Se levanta o indivíduo
Pronto, calçado e vestido
Almoça p'ra se ir embora

Se eu tivesse o que nã tenho
E o que eu tenho me ajudasse
Sem pedir nada a ninguém
Talvez que me governasse.

Popular desconhecido



1difícil

domingo, 17 de julho de 2016

Esqueceram-se...

Olhando para este post da página de apoio a Pedro Passos Coelho, apetece-nos perguntar que foi que o calor fez ao cérebro destes senhores?
- Esqueceram-se que foram eles que mandaram os nossos jovens e desempregados emigrar?
- Esqueceram-se que foram eles que, com as suas políticas retrógradas, enviaram milhares de trabalhadores para o desemprego?
- Esqueceram-se que foram eles que nos venderam a uma União Europeia caduca e moribunda, mas que tenta a todo o custo salvar-se subjugando e espezinhando os povos?

Esqueceram-se de tanta coisa que até têm o descaramento de dizer que são contra o 'aproveitamento político dos emigrantes', porque se esqueceram que é o que têm feito nestes anos todos!

Esqueceram-se ou é mais uma tentativa de tapar o sol com a peneira?

terça-feira, 28 de junho de 2016

Nunca ouvi um alentejano cantar sozinho

Nunca ouvi um alentejano cantar sozinho
com egoísmo de fonte

Quando sente voos na garganta
desce ao caminho
da solidão do seu monte,
e canta
em coro com a família do vizinho.

Não me parece pois necessária
outra razão 
- ou desejo
de arrancar o sol do chão -
para explicar
a reforma agrária 
no Alentejo.

É apenas uma certa maneira de cantar.


José Gomes Ferreira
Uma certa maneira de cantar

domingo, 1 de maio de 2016

MULHER MAIO

Bom dia, minha amiga, digo em Maio
és uma rosa à beira de um tractor
neste campo de Abril onde não caio
a nossa sementeira já deu flor.

Bom dia minha amiga, eu sou um gaio
um pássaro liberto pela dor
tu és a companheira donde saio
mais limpo de mim próprio mais amor.

Bom dia meu amor estamos primeiro
neste tempo de Maio a tempo inteiro,
contra o tempo do ódio e do terror.

Se tu és camponesa eu sou mineiro.
Se carregas no ventre um pioneiro
Dentro de ti eu fui trabalhador.
.
José Carlos Ary dos Santos

quinta-feira, 21 de abril de 2016

Não vejo senão canalha

MOTE

Não vejo senão canalha
De banquete para banquete
Quem produz e quem trabalha
Come açordas sem azête

I

Ainda o que mais me admira
e penso vezes a miúdo:
dizem que o Sol nasce para tudo
mas eu digo que é mentira.
Se o pobrezinho conspira
o burguês com ele ralha
até diz que o põe à calha,
nem à porta o pode ver.
A não trabalhar e só comer
Não vejo senão canalha.

II

Quem passa a vida arrastado,
por se ver alegre um dia
logo diz a burguesia
que é muito mal governado
que é um grande relaxado
que anda só no bote e dête.
Antes que o pobrezinho respête
tratam-no sempre ao desdém.
E vê-se andar quem muito tem
De banquete em banquete.

III

É um viver tão diferente!
Só o rico tem valor
e o pobre trabalhador
vai morrendo lentamente.
A fraqueza o põe doente
e a miséria o atrapalha.
Leva no pêto a medalha
que ganhou à chuva e ao vento.
E morre à falta de alimento
Quem produz e quem trabalha.

IV

Feliz de quem é patrão
e pobre de quem é criado,
que até dão por mal empregado
o poucochinho que dão.
Quem semeia e colhe pão
não tem onde se dête
só tem quem o assujête
p'ra que toda a vida chore.
E em paga do seu suor
Come açordas sem azête.

Jaime da Manta Branca – O Poeta Ganhão
1894 / 1955 – Benavila / Aviz
Analfabeto

Cantor e repentista

A Defesa do Planeta

Porque estamos em tempos de defesa do Planeta, deixamos aqui uma publicação da página do Re-planta:






UMA PRIMA DA ABÓBORA QUE LAVA A LOUÇA.


Seja para lavar a louça seja para tomar um banho acabamos sempre por necessitar de um esfregão ou uma esponja que nos ajude no dia-a-dia. No caso do esfregão sintético da louça a sua reciclagem é muito difícil (em Portugal deve colocá-lo no contentor dos indiferenciados), para além de ser produzido a partir de plásticos derivados de petróleo.
Mas existem algumas soluções mais ou menos práticas, mais ou menos dispendiosas, mas existe uma familiar da abóbora que é um excelente substituto, sustentável e económico, tão acessível como os seus coentros ou morangos, a Esponja Vegetal (Luffa cylindrica).
Ainda que sendo originária de climas tropicais ela pode ser cultivada em Portugal no verão -especialmente no alentejo-, e desde que não lhe tape o sol, a proteja de geadas, lhe proporcione um terreno fértil e a deixe trepar vai ser um sucesso no seu jardim. Depois, só tem de esperar pelos seus frutos amadurecerem e obter a Esponja vegetal do seu interior.

segunda-feira, 14 de março de 2016

Antes que seja tarde

Amigo,
tu que choras uma angústia qualquer
e falas de coisas mansas como o luar
e paradas
como as águas de um lago adormecido,
acorda!
Deixa de vez
as margens do regato solitário
onde te miras
como se fosses a tua namorada.
Abandona o jardimsem flores
desse país inventado
onde tu és o único habitante.
Deixa os desejos sem rumo
sde barco ao deus-dará
e esse ar de renúncia
às coisas do mundo.
Acorda, amigo,
liberta-te dessa paz podre de milagre
que existe
apenas na tua imaginação.
Abre os olhos e olha, abre os braços e luta!
Amigo,
antes da morte vir
nasce de vez para a vida.

(Manuel da Fonseca
Obra poética.)


terça-feira, 8 de março de 2016

Mulheres

Fazem escolhas que nos motivam.
Destacam-se pelo seu trabalho
De qualidade
Útil à sociedade, à família.
Mulheres
Casadas
Solteiras
Viúvas!
Amigas
Companheiras 
Mães!
Presentes
Com sofrimento
Com dignidade
Com altruísmo
Com grandeza
Com profissionalismo
Com dedicação
Com Amor 
Ouvindo
E fazendo ouvir a sua voz

Firme
Decidida!

Ser mulher é ser livre e igual!

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

Seremos Mutantes? A poda das Árvores

Atentemos no estudo de uma investigadora do Departamento de Biologia e responsável pelo Herbário da Universidade de Aveiro, Rosa Pinho, publicado no jornal Online da Universidade de Aveiro, em 02.02.2016, sobre a poda das árvores. Afinal o que é que andamos a fazer ao Planeta:

“(…)
São sobretudo as árvores existentes nos espaços verdes e arruamentos as principais responsáveis pela qualidade de vida das cidades, pois para além de adornarem a urbe, possuem um elevado valor ecológico devido nomeadamente ao seu contributo para a purificação do ar, para a diminuição da poluição sonora e diminuição do impacto das chuvas. Favorecem o microclima da cidade, promovendo a conveniente circulação da água e do ar, proporcionam sombra e refúgio para inúmeras espécies de animais, atraindo especialmente a avifauna, mantendo assim o equilíbrio dos ecossistemas, contrabalançam com a sua presença o artificialismo do meio urbano que tanto afeta a saúde psicossomática das populações, valorizando muito a qualidade de vida local.
Embora com todos estes e mais alguns atributos é notória a falta de sensibilidade para o importante papel da árvore no meio urbano. Comprovam isto as podas radicais a que são sujeitas, que lhes tiram a beleza e reduzem drasticamente as suas funções ecológicas.
A poda de árvores é uma agressão a um organismo vivo, que possui estrutura e funções bem definidas e alguns mecanismos e processos de defesa contra seus inimigos naturais. Contra a poda e suas consequências danosas não existe defesa, a não ser a tentativa desesperada de recompor a estrutura original, definida geneticamente.
A poda é sempre uma operação desvitalizante, elimina uma grande parte da copa das árvores chegando nos casos mais drásticos à eliminação total. Como consequência, a superfície fotossinteticamente ativa é parcial ou totalmente eliminada, pelo que a árvore fica bastante debilitada. Esta gravidade, causada pela poda, estimula um tipo de mecanismo de sobrevivência no sentido da árvore se recompor do traumatismo sofrido, recorrendo para tal às suas reservas energéticas. Se a árvore não dispõe de tais reservas em abundância, ficará gravemente debilitada, podendo em muitos casos morrer.
Uma árvore debilitada fica mais vulnerável ao ataque de pragas e doenças, sendo que alguns insetos e fungos acabam por se aproveitar destas fragilidades e instalam-se, acelerando nalguns casos a morte das árvores. Uma árvore decapitada fica completamente desfigurada e debilitada, e jamais recuperará por completo a sua forma natural. A decapitação é uma prática incoerente com a fisiologia das árvores, cientificamente errada e socialmente inaceitável.
Outro mecanismo de sobrevivência das árvores, como resposta a esta operação traumática, é a produção de múltiplos rebentos, o que lhes causa um grande desgaste. Isto é interpretado muitas vezes e erradamente como um rejuvenescimento da árvore, mas não passa de uma tentativa desesperada e inglória de reposição da copa inicial. Os novos rebentos crescem muito rapidamente, podendo nalgumas espécies alcançar 6 metros no primeiro ano. Infelizmente, estes novos ramos de grande fragilidade mecânica têm tendência para partir com facilidade, principalmente por ação de ventos fortes. Neste caso, vira-se o feitiço contra o feiticeiro, em que a mutilação vista como uma forma de proporcionar segurança, torna-se numa forte ameaça para os transeuntes.
A mutilação fará uma árvore mais perigosa a médio e longo prazo.
Além da falta de estética que as árvores passam a apresentar, com a "poda radical" a que são sujeitas, as feridas deixadas pelos cortes, às vezes de difícil cicatrização, são um perigo permanente de entrada de organismos patogénicas, além disso, os gomos dormentes que as árvores possuem e que normalmente não rebentariam vão provavelmente rebentar e deformar a própria árvore. Alguns tumores, que muitas vezes são observados nas árvores ornamentais, resultam de muitas podas sucessivas.
Decapitando árvores frondosas, estas estarão à partida condenadas a não cumprir a sua função ambiental de purificar o ambiente, proporcionar sombra e frescura, servir de habitat para pequenas aves que ali nidificavam.
A poda não é uma operação cultural normal em árvores ornamentais ou florestais, mas sim em árvores de fruto.
A poda em árvores ornamentais é necessária apenas em casos de emergência.
(…)

ua online | jornal ©20042016
Universidade de Aveiro

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

Seremos Mutantes? Ou o preço da industrialização desenfreada e sem controlo

A protecção do ambiente é um dos temas mais debatidos nos nossos dias sem, no entanto, surgirem medidas eficazes para travar a destruição da qualidade do nosso ambiente, o que implicará, num futuro não tão longínquo quanto isso, a destruição da vida na Terra.
Se nos quisermos lembrar do que era o nosso equilíbrio ambiental de há 30 ou 40 anos atrás, não será difícil chegarmos à conclusão de que as alterações na atmosfera terrestre estão num processo de grande aceleração.
E não estamos a falar de filmes de ficção científica dos anos 80 do século passado, que todos nós conhecemos, mas do que nós sentimos todos os dias.
Estamos a falar da qualidade da água, essencial à vida.
Estamos a falar da qualidade do ar que respiramos.
Estamos a falar na proliferação de doenças alérgicas e outras, cada vez mais difíceis de controlar.
Estamos a falar do sol que provoca estragos nunca dantes vistos na nossa pele, nos nossos olhos, na agricultura, e em toda a fauna e flora.
É por demais sabido que a ‘culpa’ de tudo isto é das indústrias, é dos automóveis, é das experiências nucleares, etc., etc..
Tudo isto é verdade, como tão verdade é que, até hoje, os estados não quiseram pôr a qualidade de vida dos povos à frente dos grandes interesses económicos.
Por mais cimeiras que se façam, por mais decisões que se tomem nessas cimeiras, nada fará sentido se não houver vontade de pôr em prática essas decisões.
De que nos serve a decisão dos estados de diminuir drasticamente a emissão de gases industriais, se esses mesmos estados não implementarem essa decisão?
E é o que tem acontecido. Porque não se pode afrontar o poder económico, mesmo que isso custe a vida de todos nós, a vida do Planeta.
Às vezes pergunto-me se as pessoas que lideram o poder económico e político – sim, são pessoas, não acham? – se pensam que conseguem existir, sobreviver sozinhas, rodeadas dos seus poderes, quando já não houver água potável, nem capacidade de produzir alimentação.

Ou estaremos a criar gerações de mutantes?

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

Da minha Janela

Mar alto! Ondas quebradas e vencidas
Num soluçar aflito, murmurado...
Vôo de gaivotas, leve, imaculado,
Como neves nos píncaros nascidas!

Sol! Ave a tombar, asas já feridas,
Batendo ainda num arfar pausado...
Ó meu doce poente torturado
Rezo-te em mim, chorando, mãos erguidas!

Meu verso de Samain cheio de graça,
Inda não és clarão já és luar
Como um branco lilás que se desfaça!

Amor! Teu coração trago-o no peito...
Pulsa dentro de mim como este mar
Num beijo eterno, assim, nunca desfeito!...
Florbela Espanca, in "Livro de Sóror Saudade"

domingo, 14 de fevereiro de 2016

Ainda não falámos de Política

O ISP vai custar-nos mais seis cêntimos por litro de gasolina. É uma medida que põe mais dinheiro nos cofres do Estado, fomenta o uso do transporte público, protege o ambiente.
Estamos a falar, obviamente do litoral do País!
E o interior?
Pois!
É que no interior do País não há transportes públicos para as aldeias ou mesmo para os bairros periféricos, de acordo com as necessidades dos habitantes.

Primeiro foi a desertificação e retiraram-se carreiras.
Depois foi a falta de adaptação ao ritmo do mundo do trabalho actual, do funcionamento das empresas, das fábricas, do comércio.
Para além disso, não temos forma de sair de casa, ir ter com amigos, ir ao cinema, ao teatro.
O mesmo é dizer que cultura e lazer, então é melhor nem pensar.

E aqui estamos nós, ilustres habitantes do interior deste país à beira mar plantado, 'vítimas' deste sistema que nos obriga a ter viatura própria, sem a qual não nos deslocaremos para o trabalho, não iremos às compras nem a lado nenhum, porque para além de um autocarro às 7h da manhã e outro de regresso às 18h, (mais coisa menos coisa), nada feito!


sábado, 30 de janeiro de 2016

Mulheres do Alentejo

Mulheres do Alentejo
Com papoilas nos olhos
São primaveras erguidas
Contra os bastões contra as balas
Oculto o rosto
Seus negros chapéus descidos
Frene ao sol
O claro choro nas mãos
Com bagos de amanhã.
São cor de terra
Cor de trabalho
Cor da habituação à dor.
Nossa Pátria do sofrimento
E do valor
Meu sinal de luz
Em toda a palavra que escrevo
Meu território do regresso e do futuro
Minha praia de secura
Percorrida pelo ódio e pelo pânico
Eis o ardente povo torturado
Esperança viva de um sonho feito carne
Mulheres searas fontes azinheiras
Nossa esperança, ainda em flor e fruto
No vermelho das feridas deste País de Abril


(Urbano Tavares Rodrigues)

sábado, 23 de janeiro de 2016

Primeiro Levaram os Comunistas

Primeiro levaram os comunistas,
Mas eu não me importei
Porque não era nada comigo.
Em seguida levaram alguns operários,
Mas a mim não me afectou
Porque eu não sou operário.
Depois prenderam os sindicalistas,
Mas eu não me incomodei
Porque nunca fui sindicalista.
Logo a seguir chegou a vez
De alguns padres, mas como
Nunca fui religioso, também não liguei.
Agora levaram-me a mim
E quando percebi,
Já era tarde.

Bertold Brecht

domingo, 17 de janeiro de 2016

Direitos Humanos


Os direitos humanos são direitos inerentes a todos os seres humanos, independentemente de raça, sexo, nacionalidade, etnia, idioma, religião ou qualquer outra condição. Nos Direitos Humanos não existe discriminação e é algo a que todos têm direito sem excepção.
O direito internacional define as responsabilidades legais dos Estados na sua conduta uns com os outros, e o tratamento dos indivíduos dentro das fronteiras do Estado. O seu domínio abrange uma ampla gama de questões de interesse internacional como os direitos humanos, o desarmamento, a criminalidade internacional, os refugiados, a migração, problemas de nacionalidade, o tratamento dos prisioneiros, o uso da força e a conduta de guerra, entre outros. Ele também regula os bens comuns globais, como o meio ambiente, o desenvolvimento sustentável, as águas internacionais, o espaço sideral, as comunicações e o comércio mundial. O direito internacional dos direitos humanos promove que todos os governos se abstenham de opiniões próprias e a agirem de determinadas maneiras em certas situações.
Desde que foi estabelecido os direitos humanos, em 1945 (fim da segunda guerra mundial) o seu objetivo tem sido fundamentalmente encorajar e promover o respeito a todos e entre todos os seres humanos. Este deveria ser corretamente usado por todos os povos e nações. Os direitos humanos são garantidos legalmente pela lei de direitos humanos, protegendo qualquer ser humano ou grupos contra ações que interferem nas liberdades fundamentais e na dignidade humana.
A legislação dos direitos humanos obriga os países a agirem de certa forma, proibindo-os de se envolverem em atividades que desrespeitem o ser humano. No entanto, a legislação de cada país /estado não estabelece os direitos humanos, ou seja, os direitos humanos são individuais.
A 24 de outubro de 1945, no rescaldo da Segunda Guerra Mundial, as Nações Unidas surgiram como uma organização intergovernamental com o propósito de salvar as gerações futuras da devastação do conflito internacional, em que o seu objetivo é fundamentalmente encorajar o respeito aos direitos humanos para todos, conforme a carta das nações unidas.
Carta esta que foi assinada em são francisco a 26 de junho de 1945 e entrou em vigor a 26 de outubro de 1945, serve a mesma o propósito de manter a paz e a união entre os povos, mas também a legitima defesa em caso de ataque.
Portugal foi admitido nas nações unidas a 14 de dezembro de 1955, entrando em vigor a 21 de fevereiro de 1956, em acordo com os estados unidos e a união soviética.

A Declaração dos Direitos Humanos:
“A Assembleia Geral, Proclama a presente Declaração Universal dos Direitos do Homem como um ideal comum a atingir por todos os povos e todas as nações, a fim de que todos os indivíduos e todos os órgãos da sociedade, tendo–a constantemente no espírito, se esforcem, pelo ensino e pela educação, por desenvolver o respeito desses direitos e liberdades e por promover, por medidas progressivas de ordem nacional e internacional, o seu reconhecimento e a sua aplicação universais e efetivas tanto entre as populações dos próprios Estados–membros como entre os povos dos territórios colocados sob a sua jurisdição.
Artigo 1.º
Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e em direitos. Dotados de razão e de consciência, devem agir uns para com os outros em espírito de fraternidade.
Artigo 2.º
Todos os seres humanos podem invocar os direitos e as liberdades proclamados na presente Declaração, sem distinção alguma, nomeadamente de raça, cor, sexo, língua, religião, opinião política ou outra, origem nacional ou social, fortuna, nascimento ou outro estatuto.
Além disso, não será feita nenhuma distinção fundada no estatuto político, jurídico ou internacional do país ou do território da naturalidade da pessoa, seja esse país ou território independente, sob tutela, autónomo ou sujeito a alguma limitação de soberania.
Artigo 3.º
Todas as pessoas têm direito à vida, à liberdade e à segurança pessoal.
Artigo 4.º
Ninguém pode ser mantido em escravidão ou em servidão; a escravatura e o comércio de escravos, sob qualquer forma, são proibidos.
Artigo 5.º
Ninguém será submetido a tortura nem a punição ou tratamento cruéis, desumanos ou degradantes.
Artigo 6.º
Todos os indivíduos têm direito ao reconhecimento como pessoa perante a lei.
Artigo 7.º
Todos são iguais perante a lei e, sem qualquer discriminação, têm direito a igual proteção da lei. Todos têm direito a proteção igual contra qualquer discriminação que viole a presente Declaração e contra qualquer incitamento a tal discriminação.
Artigo 8.º
Todas as pessoas têm direito a um recurso efetivo dado pelos tribunais nacionais competentes contra os atos que violem os seus direitos fundamentais reconhecidos pela Constituição ou pela lei.
Artigo 9.º
Ninguém pode ser arbitrariamente preso, detido ou exilado.
Artigo 10.º
Todas as pessoas têm direito, em plena igualdade, a uma audiência justa e pública julgada por um tribunal independente e imparcial em determinação dos seus direitos e obrigações e de qualquer acusação criminal contra elas.
Artigo 11.º.
Toda a pessoa acusada de um ato delituoso presume–se inocente até que a sua culpabilidade fique legalmente provada no decurso de um processo público em que todas as garantias necessárias de defesa lhe sejam asseguradas.
Ninguém será condenado por ações ou omissões que, no momento da sua prática, não constituíam ato delituoso à face do direito interno ou internacional. Do mesmo modo, não será infligida pena mais grave do que a que era aplicável no momento em que o ato delituoso foi cometido.
Artigo 12.º
Ninguém deverá ser submetido a interferências arbitrárias na sua vida privada, família, domicílio ou correspondência, nem ataques à sua honra e reputação. Contra tais intromissões ou ataques todas as pessoas têm o direito à proteção da lei.
Artigo 13.º
Toda a pessoa tem o direito de livremente circular e escolher a sua residência no interior de um Estado.
Toda a pessoa tem o direito de abandonar o país em que se encontra, incluindo o seu, e o direito de regressar ao seu país.
Artigo 14.º
Toda a pessoa sujeita a perseguição tem o direito de procurar e de beneficiar de asilo em outros países.
Este direito não pode, porém, ser invocado no caso de processo realmente existente por crime de direito comum ou por atividades contrárias aos fins e aos princípios das Nações Unidas.
Artigo 15.º
Todo o indivíduo tem direito a ter uma nacionalidade.
Ninguém pode ser arbitrariamente privado da sua nacionalidade nem do direito de mudar de nacionalidade.
Artigo 16.º
A partir da idade núbil, o homem e a mulher têm o direito de casar e de constituir família, sem restrição alguma de raça, nacionalidade ou religião. Durante o casamento e na altura da sua dissolução, ambos têm direitos iguais.
O casamento não pode ser celebrado sem o livre e pleno consentimento dos futuros esposos.
A família é o elemento natural e fundamental da sociedade e tem direito à proteção desta e do Estado.
Artigo 17.º
Toda a pessoa, individual ou coletiva, tem direito à propriedade.
Ninguém pode ser arbitrariamente privado da sua propriedade.
Artigo 18.º
Todas as pessoas têm direito à liberdade de pensamento, de consciência e de religião; este direito implica a liberdade de mudar de religião ou de credo, assim como a liberdade de manifestar a sua religião ou credo, sozinho ou em comunidade com outros, quer em público ou em privado, através do ensino, prática, culto e rituais.
Artigo 19.º
Todo o indivíduo tem direito à liberdade de opinião e de expressão, este direito implica a liberdade de manter as suas próprias opiniões sem interferência e de procurar, receber e difundir informações e ideias por qualquer meio de expressão independentemente das fronteiras.
Artigo 20.º
Toda a pessoa tem direito à liberdade de reunião e de associação pacíficas.
Ninguém pode ser obrigado a fazer parte de uma associação.
Artigo 21.º
Toda a pessoa tem o direito de tomar parte na direção dos negócios públicos do seu país, quer diretamente, quer por intermédio de representantes livremente escolhidos.
Toda a pessoa tem direito de acesso, em condições de igualdade, às funções públicas do seu país.
A vontade do povo é o fundamento da autoridade dos poderes públicos; e deve exprimir–se através de eleições honestas a realizar periodicamente por sufrágio universal e igual, com voto secreto ou segundo processo equivalente que salvaguarde a liberdade de voto.
Artigo 22.º
Toda a pessoa, como membro da sociedade, tem direito à segurança social; e pode legitimamente exigir a satisfação dos direitos económicos, sociais e culturais indispensáveis, graças ao esforço nacional e à cooperação internacional, de harmonia com a organização e os recursos de cada país.
Artigo 23.º
Toda a pessoa tem direito ao trabalho, à livre escolha do trabalho, a condições equitativas e satisfatórias de trabalho e à proteção contra o desemprego.
Todos têm direito, sem discriminação alguma, a salário igual por trabalho igual.
Quem trabalha tem direito a uma remuneração equitativa e satisfatória, que lhe permita e à sua família uma existência conforme com a dignidade humana, e completada, se possível, por todos os outros meios de proteção social.
Toda a pessoa tem o direito de fundar com outras pessoas sindicatos e de se filiar em sindicatos para defesa dos seus interesses.
Artigo 24.º
Toda a pessoa tem direito ao repouso e aos lazeres e, especialmente, a uma limitação razoável da duração do trabalho e a férias periódicas pagas.
Artigo 25.º
Toda a pessoa tem direito a um nível de vida suficiente para lhe assegurar e à sua família a saúde e o bem-estar, principalmente quanto à alimentação, ao vestuário, ao alojamento, à assistência médica e ainda quanto aos serviços sociais necessários, e tem direito à segurança no desemprego, na doença, na invalidez, na viuvez, na velhice ou noutros casos de perda de meios de subsistência por circunstâncias independentes da sua vontade.
A maternidade e a infância têm direito a ajuda e a assistência especiais. Todas as crianças, nascidas dentro ou fora do matrimónio, gozam da mesma proteção social.
Artigo 26.º
Toda a pessoa tem direito à educação. A educação deve ser gratuita, pelo menos a correspondente ao ensino elementar fundamental. O ensino elementar é obrigatório. O ensino técnico e profissional deve ser generalizado; o acesso aos estudos superiores deve estar aberto a todos em plena igualdade, em função do seu mérito.
A educação deve visar à plena expansão da personalidade humana e ao reforço dos direitos do homem e das liberdades fundamentais e deve favorecer a compreensão, a tolerância e a amizade entre todas as nações e todos os grupos raciais ou religiosos, bem como o desenvolvimento das atividades das Nações Unidas para a manutenção da paz.
Os pais têm um direito preferencial para escolher o tipo de educação que será dada aos seus filhos.
Artigo 27.º
Toda a pessoa tem o direito de tomar parte livremente na vida cultural da comunidade, de fruir as artes e de participar no progresso científico e nos benefícios que deste resultam.
Todos têm direito à proteção dos interesses morais e materiais ligados a qualquer produção científica, literária ou artística da sua autoria.
Artigo 28.º
Toda a pessoa tem direito a que reine, no plano social e no plano internacional, uma ordem capaz de tornar plenamente efetivos os direitos e as liberdades enunciadas na presente Declaração.
Artigo 29.º
O indivíduo tem deveres para com a comunidade, fora da qual não é possível o livre e pleno desenvolvimento da sua personalidade.
No exercício deste direito e no gozo destas liberdades ninguém está sujeito senão às limitações estabelecidas pela lei com vista exclusivamente a promover o reconhecimento e o respeito dos direitos e liberdades dos outros e a fim de satisfazer as justas exigências da moral, da ordem pública e do bem-estar numa sociedade democrática.
Em caso algum estes direitos e liberdades poderão ser exercidos contrariamente aos fins e aos princípios das Nações Unidas.
Artigo 30.º

Nada na presente Declaração pode ser interpretado de maneira a conceder a qualquer Estado, grupo ou indivíduo o direito de se entregar a alguma atividade ou de praticar algum ato destinado a destruir os direitos e liberdades aqui enunciados.” 

in: http://www.dudh.org.br/definicao/
http://www.humanrights.com/pt/what-are-human-rights/universal-declaration-of-human-rights/articles-21-30.html

Bem Vindos!

Só mesmo porque o País e o Mundo estão como estão e na sorte só nos saem Duques&Valquírias, vamos lá falar um pouco para não ficarmos maluquinhos.

Ah, e queremos também que dêem as vossas opiniões construtivas

Bora lá então ver no que isto dá!!!

(Boa sorte para nós e para vós também!)